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O inferno está em crise. As pessoas estão pecando menos, e consequentemente, estão indo para o Céu. Dessa forma, o Diabo (Murilo Rosa) bola um plano mirabolante, mas coerente. Ele vai até a terra e fundará um igreja.

Enquanto isso, Raquel (Monica Iozzi), uma jovem jornalista ambiciosa, tem um caso com um apresentador de TV. E por meio dele, ela consegue um emprego como repórter. Na emissora ela descobre que irá ser colega de trabalho de um ex-namorado apaixonado (Thiago Mendonça) e na primeira reportagem juntos eles acabam tendo uma DR ao invés de entrevistar as fontes. Mas então Raquel vai para outra pauta e acaba conhecendo a Igreja Satanista e o Demônio em pessoa. Sem pensar duas vezes ela pede uma entrevista exclusiva para o Diabo e assim começa a parceria entre os dois, que chegará a dominar o mundo.

A Comédia Divina é um filme engraçado, mas não é hilário. Apesar de aparentar ser uma comédia pastelão, o filme traz questionamentos e reflexões acerca do comportamento humano, como a contradição inerente do homem. O filme tem uma roupagem leve, como as comédias convencionais, mas provavelmente irá causar uma polêmica. No filme, o Diabo atinge o grande público pela televisão, "pregando" em programas do horário nobre, e Deus é interpretado por uma mulher negra. Com certeza o filme não sairá ileso de críticas vindas de um público mais religioso.

Murilo Rosa dá vida a um Diabo simpático, sedutor, irônico, mas nem um pouco ameaçador. Ele atua bem, mas é difícil associar a imagem do ator com a de Lúcifer. Monica Iozzi, que não interpretava há anos quando o filme foi gravado em 2014, está bem no papel da jornalista Raquel, sendo que ela já tinha uma vasta experiência como repórter devido ao programa CQC. Thiago Mendonça nos faz acreditar ser um homem apaixonado e doce, e Zezé Motta nos apresenta um Deus praticante do "deboísmo", em uma interpretação leve e comedida, mas eficiente.

Os efeitos especiais do filme parecem ser bem toscos, mas não podemos esquecer que a computação gráfica do Brasil faz milagres dentro do orçamento dos filmes. E apesar de aquém do CG utilizado exteriormente, não é algo que vá atrapalhar a experiência.

O filme tem um viés de fábula, de fantasia, mas também é uma comédia que aborda assuntos universais e brinca com os clichês e arquétipos desses personagens bíblicos. O ponto alto do filme são as sutis sacadas espalhadas pelo enredo, que agregam um diferencial à obra, como as críticas às igrejas e grandes emissoras de TV. Não é nenhum novo clássico do cinema nacional e provavelmente nem será muito marcante, mas quando se compra a ideia do filme, o entretenimento é garantido. De qualquer forma, esse ano estão sendo lançados muitos filmes nacionais que estão chegando ao grande público, e nosso dever é nada mais, nada menos, que prestigiar o cinema brasileiro.

A Comédia Divina estreia dia 19 de outubro nos cinemas.