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Com gráfico de jogo de videogame um boneco caminha por uma montanha rochosa até se deparar com o horizonte abraçado pelo rio. É assim que começa o filme francês A Trama (L'Atellier, no original), que tem estreia prevista no Brasil para o dia 1 de novembro. A cena, na realidade, se referia a um momento de descontração de Antoine, personagem protagonista vivido por Matthieu Lucci.

O ponto central do novo trabalho do diretor Laurent Cantet, acontece quando o protagonista decide se inscrever em um workshop de escrita. Lá, ele se depara com um grupo de pessoas comandado pela orientadora e escritora Olivia (Marina Foïs). Essa, por sua vez, instiga seus alunos a pensarem em um enredo para uma história de romance policial.

O incentivo, obviamente, seria acompanhado de uma série de discussões entre os estudantes. E é, logo no primeiro debate, que Antoine mostra suas opiniões marcantes sobre política e questão racial. Tal posição acaba provocando desconforto em Malika (Warda Rammach), descendente árabe.

Como descrito acima sobre as opiniões de Antoine, o personagem tem grande interesse em política de extrema direita. Um tanto tímido e solitário, vive com a rotina de ir ao curso e passar um tempo no mar, nadando. Até que, em uma noite, sai com seus amigos para uma ilha, onde treinam tiro, gravam a ação e postam o vídeo em uma rede social. É importante ficar atento a esse detalhe, pois ele funcionará como um set up of, ou seja, algo a ser retomado no futuro.

No entanto, a trama real do longa-metragem se inicia quando Antoine confronta Olivia com relação à superficialidade e opacidade com que a escritora cria os personagens de seus livros. A partir daí, ambos entram em uma sequência de acontecimentos que dirão muito de suas próprias personalidades.

E é, de fato, dessa forma que A Trama se mostra ao espectador. Um enredo apresenta o autoconhecimento e o enfrentamento das negações dos personagens. Gravado em belos cenários e com vários ápices, o trabalho de Cantet é uma obra que, no fim, transmite um choque e a impressão de algo faltando. Apenas a impressão, pois este é um longa-metragem em que a atenção nos mínimos detalhes pode fazer a diferença na compreensão da produção. Com isso, o olhar sobre o filme pode se tornar muito mais crítico e satisfatório.