Divulgação

Em 2012 uma animação espanhola se mostrou uma grande surpresa: As Aventuras de Tadeo tornou-se a maior bilheteria da história na região e conquistou vários prêmios. A boa qualidade da animação, a premissa e desenvolvimento assumidamente descompromissado e leve atraiu um grande público infantil, enquanto ao mesmo tempo não testava a paciência dos pais. Pelo contrário, o clima de nostalgia das antigas aventuras foi um ponto a mais. Mais importante do que isso talvez seja o fato da produção ser uma prova de que uma animação fora do meio dos poderosos estúdios como Disney, DreamWorks, etc, e sem um investimento milionário na produção e marketing também pode conseguir seu lugar de destaque e sucesso no mercado cinematográfico, o que pode se tornar um estímulo e tanto para que países (como o nosso) consigam crescer nesta área.

Como já fica logo evidente, o personagem foi criado como uma homenagem aos famosos filmes de aventureiros, em especial Indiana Jones, o qual emula em vários aspectos. Conforme aprendemos no primeiro filme, Tadeo desde garotinho sonhava em ser arqueólogo, mas adulto acabou virando um pedreiro. Uma jogada do destino, porém, o faz ser confundindo com um importante arqueólogo e logo embarca numa aventura típica, com busca por uma cidade lendária, vilões, armadilhas, amigos e romance.

Em As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas, nosso aventureiro ainda está estudando para ser o explorador que tanto deseja, mas embarca em uma nova missão ao acompanhar Sara em busca do Colar de Midas, um artefato capaz de conceder ao seu proprietário o dom de transformar tudo que toca em ouro. É claro que um vilão interessado em tamanho poder surge para atrapalhar, e claro, ele precisará ser detido.

Como se espera de uma continuação deste tipo, aqui a ação é potencializada em um ritmo mais ágil e a qualidade da animação é mais bem trabalhada. Mas o filme (talvez para não arriscar mexer no que deu certo), está longe de maiores pretensões, mantendo-se sempre superficial e básico.

O maior acerto aqui foi a volta de um personagem: a múmia desengonçada que vira um parceiro de aventuras. Dar destaque para um pequeno coadjuvante cômico tende a estragá-lo, mas, felizmente, isso não ocorreu aqui. Sua falta de noção e maneira amalucada não só mantém o humor constante como consegue criar um dinamismo mais eficiente que no filme anterior. Já a exploradora profissional Sara (que fazia uma espécie de Lara Croft) aqui foi bastante reduzida a mocinha em perigo, enquanto uma nova personagem Tifanny, é prejudicada por uma construção pouco elaborada e convincente.

No final das contas, temos um produto corretamente feito para divertir e agradar às crianças, tão redondo e encostado em suas fórmulas que não permite grandes análises críticas. O primeiro filme mostrou a possibilidade do sucesso em outras terras, mas para se ter filmes realmente que marquem na história do cinema, será necessário esforço na criatividade e profundidade. Os elementos em As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas podem funcionar, mas são tão calcados em fórmulas, trejeitos Hollywoodianos e personagens arquétipos que após os momentos de distração, sabemos que não vimos nada de novo, o que tende ao esquecimento, em vez da vontade de querermos ver mais daquilo. Mas é um recomendável passatempo, sem maiores cobranças.