Júlia Queiroga / Allmanaque

Assassinato no Expresso Oriente foi publicado pela primeira vez em 1934, escrito por Agatha Christie e, no Brasil, já foi lançado pela Globo Livros e outras editoras, mas, em 2017, a L&PM Editores relançou com uma capa nova do filme dirigido e protagonizado por Kenneth Branagh.

A história ocorre toda no trem denominado Simplon Expresso Oriente cujo percurso consiste em fazer parte da travessia entre o Oriente e Ocidente, começa na estação de Haydarpşa do lado asiático de Istambul, Turquia, e depois prossegue viagem. No vagão principal constam 13 passageiros de diferentes nacionalidades e um deles é Hercule Poirot que conseguiu embarcar de última hora junto de seu amigo Mr. Bouc, diretor da companhia de trem. Tudo está tranquilo até que um dos passageiros é encontrado morto dentro de sua cabine e todos estão presos devido a uma nevasca. A resolução do caso acaba indo parar nas mãos de Hercule Poirot que tem apenas 3 dias para solucionar a questão.

Agatha Christie construiu uma narrativa cativante e progressivamente rápida. sua obra atrai pelo mistério e pela construção dos personagens que se mostram bastante densos e complexos conforme o enredo se desenrola. Nada é o que parece ser. É como um labirinto de espelhos que parece não ter fim até saber quais deles são falsos e achar a verdade.

Quando o crime ocorre e Hercule Poirot recebe a tarefa de investigar o caso, nota-se que seus dois companheiros Mr. Bouc (diretor da companhia) e Dr. Constantine (médico que examinou o corpo) contribuem um pouco para a resolução do mistério, mas também trazem um ar mais leve e até mesmo cômico à narrativa. Um exemplo é Mr. Bouc que ao ser posto para pensar sobre o caso, em uma vã tentativa de resolvê-lo, acaba se prendendo a determinadas generalizações como acreditando que o autor do crime não poderia ser inglês, deve ser italiano e se perde do objetivo quando para e começa a pensar em seus problemas pessoais.

Em um tempo em que a comunicação ainda não é tão desenvolvida à ponto da existência de celulares e a internet ainda nem serem cogitadas, resta apenas sua mente, os fatos e as entrevistas para que Poirot resolva o mistério. Porém, como saber quem está mentindo e o porquê se todos os depoimentos parecem verdadeiros? É um quebra cabeça sem fim até que a autora começa a colocar as peças nos locais certos e tudo começa a fazer sentindo. É uma história que vale muito a pena para tentar resolver o mistério junto ao detetive, para compreender um pouco mais até da natureza humana e saber o que leva alguém a matar outra e como fatores externos podem influenciar isso.