Mila Maluhy

Noite de 25/11 às 21 horas no Teatro Bradesco em São Paulo (SP). As luzes se apagam dando início ao espetáculo Cássia Eller - O Musical. De cara o elenco já entra cantando Eu Queria Ser Cássia Eller, de Péricles Cavalcanti. Tal trecho deu a deixa para que a atriz Tacy de Campos entrasse no palco vivendo a personagem principal.

Tamanha a semelhança no timbre e na linguagem corporal da atriz impressionou o público que, logo com sua entrada, soltou expressões de "oh!" a até olhares de surpresa lançados entre as pessoas presentes. E como o espetáculo trata da vida de Cássia, o interesse em chocar e o jeito desleixado da mesma se fizeram presentes desde os primeiros minutos de sua aparição na peça, quando tira a camisa e deixa os seios à mostra.

A história abordada no musical tem seu ponto de partida na mudança feita pela família de Cássia para Brasília, onde o pai Ronaldo (Emerson Espíndola), um militar, teria um novo posto de trabalho. Atitude foi tomada, inicialmente, para afastar a adolescente de sua paixonite, Moema (Thainá Gallo). É então que é apresentada a canção Que País é Esse, de Renato Russo.

E é nesse período da vida que a cantora faz teste para entrar num grupo de atores na capital federal. Ao ser aprovada, Cássia conhece Lan Lan (Thainá Gallo), a qual dá apoio para que ela iniciasse carreira solo ao ver o potencial que tinha. Com isso, a nova personagem se torna outra paixão. Foi a partir desse apoio que a carreira da intérprete começou, aos poucos, a deslanchar a nível nacional.

No decorrer da peça, foram executadas outras 37 canções de diversos artistas. Nesse ponto, é impossível não notar a sensibilidade e precisão da banda presente no palco. Roberto Kauffman, Pedro Coelho, Diogo Viola, Maurício Braga e Fernando Caneca fizeram muito mais do que um apoio ao elenco e enredo. Foram como uma segunda alma do espetáculo.

A banda somada com a presença da personagem Cássia Eller respondia por quase todos os sentimentos possíveis incentivados durante a peça. Nessa união vem em destaque a música Malandragem, composta por Frejat e Cazuza. Durante a performance, um espetáculo em particular. Caminhando pela plateia, a personagem teve o apoio da mesma durante o trecho final. "Quem sabe eu ainda sou uma garotinha" o público fez ecoar no teatro.

Na sessão da emoção, porém, outras músicas merecem maior visibilidade. All Star, de Nando Reis, tocada em grande parte no acústico fez a plateia aplaudir de pé depois de sua apresentação. E, claro, Segundo Sol, também de autoria de Reis, além de encerrar o evento, foi feita na forma de dueto entre Cássia (Jana Figarella) e o próprio Nando (Emerson Espíndola).

Com tamanha semelhança das atrizes com Cássia Eller, a sonoridade precisa da banda e todo o escopo do elenco, a peça foi muito mais do que uma homenagem a uma das maiores intérpretes do Brasil. Cássia Eller - O Musical deu àqueles que não tiveram a chance de ver a cantora ao vivo de fazê-lo. Por outro lado, também possibilitou para aqueles que a assistiram alguma vez de poder se despedir de uma melhor forma. De reviver a música particular feita pela batizada Cássia Rejane Eller e de poder dar a ela aquele famoso, e doído, último adeus.