Júlia Queiroga / Allmanaque

A Última Carta foi escrito por William Douglas e publicado pela Editora Impetus. Em 12 de agosto de 2000 houve um acidente com um submarino nuclear russo, ele afundou no Mar de Barents, no norte da antiga União Soviética, após duas grandes explosões causadas por falhas em seu sistema de lançamento de torpedos, cerca de cento e dezoito marinheiros ficaram presos no Submarino Kursk.

O submarino permanecia em uma profundidade de 108 metros à 135km da costa e, na época, o governo russo não possuía veículos capazes de realizar um resgate. Após uma comoção pública mundial e grande pressão sobre o governo, foram enviados mergulhadores ingleses e noruegueses até lá, porém, já não havia ninguém vivo na carcaça do submarino.

Ao conseguirem entrar no submarino, foram encontrados os corpos de quatro pessoas e, no bolso do uniforme de um deles, foi achada uma carta que era dedicada a esposa do marinheiro. A carta foi escrita por tato, o que significa que foi inteiramente feita no escuro, enquanto 23 tripulantes estavam vivos por algumas horas após as explosões e o naufrágio do submarino.

O resgate de todos os outros corpos e sua respectiva entrega à familiares só aconteceu no final de outubro com a ajuda de equipes de resgate da Finlândia e Noruega. Porém, o estado dos corpos nunca foram revelados. Houve a realização de dois monumentos em homenagem às vítimas do acidente.

O livro em si é curto, tem 62 páginas de texto e mais 2 com fotos, o texto é simples e direto. Mas, mesmo diante de tanta simplicidade, é pesado tanto em seus significados quanto em sua carga emocional. Trata-se de um marinheiro despedindo-se de sua esposa, de sua vida e abraçando a morte. Ele cumprimenta a vida tanto quanto se prepara para o seu fim. O enredo é envolvente e não é dramático, mesmo sendo baseado em uma despedida, é muito mais reflexivo do que dramático, porém não deixa de ser triste ao pensar no acidente.

"Tive medo de morrer antes de aprender a viver" (pág.20)