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O mundo está acabando e os seres humanos precisam encontrar uma forma de sobreviver. Essa é a premissa de Pequena Grande Vida, filme de drama dirigido por Alexander Payne que estreia dia 22 de fevereiro.

Na busca para evitar a completa extinção da espécie humana, um cientista descobre uma solução para a situação, que nada mais é do que encolher as pessoas. A história do filme se passa cerca de 10 anos após essa descoberta e, no cenário atual, cerca de 3% da população mundial reduziram-se para 12.7 cm de altura.

Graças a uma ampla propaganda e uma proposta de vida boa e maravilhosa esse processo de encolhimento aparece como uma solução tentadora para muitos. Um exemplo desse estilo de vida seria que as pessoas de classe média conseguem chegar ao status de rico, pois 1 dólar no mundo dos gigantes equivale a 1000 dólares no dos pequenos. Somando-se a esse fator, as pessoas pequenas produzem menos lixo e podem viver sem trabalhar ou pagar impostos. O longa mostra um período de transição em que as pessoas não definiram ainda como as questões do mercado e as questões políticas ficam, com a existência de um mundo paralelo. É como um agregado dentro de uma família, e ele consome tudo e vive de graça, sem contribuir com nada. Isso causa um certo conflito e dúvida entre quem não escolheu ficar pequeno.

Sabendo das coisas boas e que todo o processo não geraria nenhum efeito colateral aparente, Paul Safranek (Matt Damon) e sua esposa Audrey Safranek (Kristen Wiig) estão interessados em passar por todo esse processo para terem a vida dos sonhos.

A narrativa da história gira em torno dessa questão de salvar o planeta da destruição e das possibilidades que isso gera. É uma perspectiva interessante sobre o tema e traz uma problematização interessante do aspecto de como isso aconteceria e como as pessoas reagiriam.

Existem personagens que poderiam ter sido melhor exploradas como Ngoc Lan Tran (Hong Chau), uma moça Vietnã que vive no mundo pequeno e a história por trás de seu processo de encolhimento poderia ter sido mais diluída só sabemos o que realmente aconteceu no fim. Outro ponto falho é a relação entre Ngoc Lan e Paul, porque alguns aspectos foram mais acelerados e dá a impressão de ser algo mais superficial. Existem facetas dela que poderiam ter sido mais bem exploradas junto com suas motivações.

Além dela, o próprio Paul não é tão explorado no aspecto da motivação, ele parece fazer as coisas de modo involuntário, enquanto se perde na confusão de tentar achar uma resposta para o porquê de existir.

A história é bem contada, a narrativa flui bastante, mas o final deixa um pouco a desejar porque é previsível. Não houveram muitas cenas de interação entre grandes e pequenos, na realidade esse foi um ponto bem planejado, pois deixou o filme mais natural.

Sobre o processo de encolhimento, é estranho pensar em como ele é realizado, porque é como se as pessoas fossem um bolo que ao invés de crescer quando vão ao forno, ficam menores. Nota-se uma preocupação em tentar fazer o espectador se sentir menor e ter a impressão que as coisas são maiores. Boa parte da história se passa no mundo dos pequenos, então o que contribuiu para essa percepção de mundo.

Pequena Grande Vida apresenta assuntos importantes como a questão da desigualdade, das estratégias do governo para calar sua população, a manipulação de ideologias e a ideia da sociedade do espetáculo. Mesmo que nem tudo isso seja muito aprofundado, é um ponta pé para pensar e vasculhar mais sobre esses assuntos.