Divulgação

Não parece, mas já faz pouco mais de quatro anos desde o último lançamento do Queens of the Stone Age, com sua obra-prima ...Like Clockwork. Desde então, seu frontman, Joshua Homme, decidiu se envolver em várias aventuras musicais antes de lançar o próximo álbum do QotSA. Envolveu-se em um excelente projeto com Iggy Pop; fez um novo álbum com a banda Eagles of Death Metal; teve uma participação especial gravando as guitarras para a música Perfect Illusion, da Lady Gaga, entre outras facetas. Quando se descobriu que o Queens estaria gravando um novo álbum, o sigilo foi enorme. As informações eram extremamente escassas e a banda liberava de pouquinho em pouquinho o que seria o novo álbum da lendária banda de rock. Eles seguiriam um estilo mais sóbrio e soturno, como em ...Like Clockwork? Voltariam com um stoner rock mais puro como em Rated R? Ou traçariam um estilo totalmente diferente do que a banda já fez?

Quase um mês antes de seu lançamento, o álbum Villains foi revelado ao público, com as informações de que seria algo diferente para a banda, visto que o escolhido para produzir o álbum foi Mark Ronson, que compôs e produziu singles como Uptown Funk, de Bruno Mars, e o já mencionado Perfect Illusion, de Gaga. No mínimo isso incitou a curiosidade dos fãs da banda, que já haviam se acostumado com o som ora pesado, ora estranho, mas sempre rock puro da banda. Porém, aqueles que acompanham Joshua Homme sabem que ele já havia flertado com o dance-rock há algum tempo, como em seu projeto paralelo Them Crooked Vultures e até o álbum Era Vulgaris, do próprio Queens of the Stone Age (além da música Smooth Sailing, presente em ...Like Clockwork). Mas, seria Villains uma boa adição na discografia da banda?

A resposta é clara nos primeiros minutos de Feet Don't Fail Me, que abre o álbum de forma magnífica. As guitarras, baixo e bateria parecem pular constantemente, enquanto Josh (para os íntimos) canta sobre o passado e fala de um futuro pessoal, talvez representando o novo rumo que a banda quer tomar. Logo após os cinco minutos e quarenta de início, somos apresentados ao primeiro single do álbum, a contagiante The Way You Used to Do. Aqui, vemos que o dance-punk vai ser o gênero predominante no álbum, mas claro, ao melhor estilo Queens of the Stone Age. A economia dos instrumentos (principalmente a bateria) na música dá corda para Josh abusar dos seus vocais, usando os seus clássicos maneirismos. Ronson utiliza a filosofia de que menos é mais, fazendo algo como Uptown Funk: simples, dançante e muito boa.

O álbum não só abraça o dance-punk, mas também outros estilos dance em geral. Nas músicas Fortress e Un-Reborn Again, o estilo synthwave é bastante presente, com sintetizadores proeminentes em vários momentos e batidas dançantes, lembrando um pouco músicas do Franz Ferdinand, que utiliza muito de synthwave e dance-pop em suas músicas. Não só isso, mas em Un-Reborn há certamente influências diretas de hard rock e rock n' roll clássico, principalmente nas estrofes da música.

Homme já comentou em entrevistas que o punk rock foi um de seus gêneros introdutórios no mundo da música, e de certa forma, há uma homenagem direta ao estilo em Villains. Na música Head Like A Haunted House, as guitarras gritam acordes cheios, bem palhetados, enquanto a bateria e o baixo dançam ao som de vocais reverberados e ecoados, lembrando muito bandas como Misfits, que utilizam o punk rock misturado com rock clássico e filmes de terror (combinando perfeitamente com o tema de Villains). Iggy Pop também é homenageado, de certa forma, na música Domesticated Animals, lembrando bastante o último álbum de Iggy, Post Pop Depression (produzido pelo próprio Joshua. Coincidência?). Nas composições, Homme buscou referências em si próprio, baseando-se em projetos passados. The Evil Has Landed é o filho legítimo de Era Vulgaris com Them Crooked Vultures, com direito a um final explosivo, lembrando bastante o primeiro álbum da banda, lançado em 1998, que apresentava um stoner rock mais cru. Não que a banda tenha abandonado esse seu lado: em todos os álbuns, há pelo menos uma música que remete ao rock do deserto estabelecido por Josh (sim, a música My God Is The Sun, do álbum anterior, se encaixa aqui), mas cada vez mais ela tem se distanciado desse estilo, mas por uma causa excelente. Além disso, bebe da fonte do dark folk ao realizar a música final Villains of Circumstance, onde termina perfeitamente o álbum em tom e ritmo.

Obviamente, nem tudo são flores em Villains. Apesar das boas adições, às vezes elas ficam um pouco repetitivas, principalmente pelo tamanho das músicas, com boa parte delas variando entre 5 e 7 minutos. Músicas como Hideaway e a já mencionada Fortress soam um tanto genéricas certas vezes, parecendo que foram feitas apenas para preencher um vazio que antes existia no álbum. Porém, o QotSA já é experiente o suficiente para contornar esses erros, e aqui não faz diferente.

Villains é um álbum sagaz, que vem para adicionar um álbum com o direcionamento mais pop para a discografia do Queens of the Stone Age, mas sem perder a essência do que torna a banda única. Mesmo com excelentes canções, o álbum ainda se arrasta um pouco em pequenos detalhes, mas acerta muito mais no geral, deixando os erros menos relevantes. Seu maior erro é ser um álbum depois de ...Like Clockwork, que subiu a média para todos os álbuns do Queens of the Stone Age que vierem depois dele. Ainda assim, Villains é uma excelente adição.