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Lucy (Ksenia Solo) é uma jovem de 20 anos que passou a vida inteira sendo extremamente protegida pela mãe. Claire (Maria Bello) sempre foi uma menina muito romântica e que acreditava nas pessoas, dessa forma acabou ficando grávida muito jovem e decidiu que sua filha teria uma vida bem diferente da sua. Então ela cria Lucy em quase um mundo dos sonhos, onde não havia nada triste e tudo era perfeito, assim como nos filmes que assistiam.

A hora chega e Lucy, umas das pessoas mais inocentes desse mundo, vai em uma entrevista de emprego, pois afinal de contas ela precisa sair do mundinho delas, e chegando lá descobre que não era para trabalhar em uma produção de filme convencional, mas sim pornô. Ela foge do local um tanto assustada e na rua recebe um panfleto sobre um festival de filmes do diretor italiano Federico Fellini. Ela vai sem saber o que esperar e se apaixona perdidamente pelos filmes, volta para casa com várias fitas VHS e passa a noite toda assistindo a filmes desse diretor que entrou tão inesperadamente em sua vida.

Ao sair dessa maratona Lucy conta a sua mãe e tia que irá para a Itália conhecer Fellini e se sua mãe queria ir junto com ela. Claire, que na verdade estava com câncer e não queria contar isso para filha, a espanta, falando para ela ter uma vida própria. Lucy parte para a Itália sozinha e lá vive inúmeras aventuras, em um mundo muito diferente do qual cresceu, até enfim chegar à porta da casa de Fellini.

O diretor Taron Lexton faz constantemente referências a filmes de Fellini, mas mostrando como Lucy via essas semelhanças em lugares que passava, ou como as outras pessoas a viam e logo associavam algum personagem ou cena de um filme a ela. Além de todas as referências, o filme também é muito gostoso de assistir. O que não seria exatamente o esperado, pois só de imaginar uma menina totalmente inexperiente da vida viajando sozinha, já dá uma agonia, um medo por ela. Contudo, vemos as viagens de Lucy por sua ótica, que é algo lindamente puro e apaixonante.

E essa visão de mundo é muito bem apresentada no filme pela fotografia e palheta de cores. No começo tudo é azul, como se só houvesse paz. Na Itália só há cores quentes e felizes, e quando Lucy vai se encontrando em situações mais complicadas, o tom do filme vai escurecendo aos poucos e ficando cinza, só volta as cores quando a menina entra na rua onde mora Fellini e se torna mais forte ainda quando ela bate na porta do diretor. É um filme visualmente muito lindo, pois tem todo esse ar lúdico presente.

As atuações são todas muito afinadas, principalmente de Ksenia Solo, pois carrega praticamente o filme nas costas e com suas expressões somente, podemos acreditar que sua inocência é verossímil e ver como Lucy vai amadurecendo ao decorrer do filme.

Em Busca de Fellini é um filme que homenageia o diretor que morreu nos anos 90, e essa história é brevemente inspirada em eventos que aconteceram de verdade. E como é inspirada, logicamente que há muitos momentos no filme que utilizaram de uma liberdade poética, o que é o acerto do filme. Poderia ser bem feito sim, se fosse uma história mais realista, mas tendo todo esse lado romântico e sonhador de Lucy influenciando a história, trás todo um charme a mais, que além de dar um toque único, também conquista o espectador.

Este é um filme inspirador e aconchegante. Feito com um carinho que é palpável. Mesmo para quem nunca viu nenhum filme de Fellini, é possível acreditar que esse diretor causa um impacto muito grande em seus fãs. O que também é muito retratado no filme, como os italianos amavam ele e as americanas não entendiam nada, mas conseguiam captar os sentimentos passados pelo filme.

Em Busca de Fellini estreia dia 7 de dezembro, e é uma ótima escolha para quem gosta de filmes que homenageiam o cinema, assim como filmes românticos e levinhos, assim como filmes sobre viagem e arte.