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Suspiro. A câmera se abre e uma mulher carregando uma mala surge caminhando pelas ruas do Líbano. Nada (Golshifteh Farahani), ao avistar um comércio, entra e pede algumas comidas típicas do país à Chadi (Wissam Fares). É dessa forma que De Volta, uma co-produção França, Suíça, Bélgica e Líbano, dirigida por Jihane Chouaib, começa.

Continuando seu trajeto, Nada encontra uma casa, aparentemente abandonada. Saca um molho de chave, abre a porta e entra no imóvel. Ela então se depara com o local jogado às traças, sujo, sem ninguém. A partir daí, começa a criar uma rotina de limpeza do ambiente, o qual, por fim, pertencia ao seu avô desaparecido.

O que a surpreende é que, entre uma limpeza e outra, ela se depara com partes da parede contendo rabiscos e desenhos, que de início ela não compreende. Mas o que chamou sua atenção foi uma escritura feita em sangue com os dizeres: "Vá para casa". Isso a assusta, pois, ao juntar com os sonhos e visões que estava tendo à noite sobre seu avô, começa a pensar que algo estava acontecendo.

Sem entender o que encontrava na casa, Nada, que havia voltado da França após longa temporada fugida da guerra civil, foi visitar alguns parentes. Na ocasião, ela se reencontra com a avó Nour (Mireille Maalouf), que lhe apresenta novamente à sociedade da cidade, que ali se fazia presente. No entanto, a protagonista começou a notar como todos a sua volta se negavam a falar do avô, o que a deixou perplexa.

De volta à casa, Nada continuou a limpeza e adormeceu, mas foi acordada, repentinamente, com os sonhos e as lembranças do avô, as quais foram acompanhadas por uma queima de fogos logo a frente do muro do local. Ao ver quem foi o responsável por tal, ela encontra Jalal (François Nour), que mais tarde, a ajudou na limpeza.

Um dia, Samir (Maximilien Seweryn), irmão de Nada, volta ao Líbano a mando do pai, que desejava vender a casa que a protagonista estava tomando conta. Esse fator, apesar da ligação forte que os irmãos tinham um com o outro, começou a criar forte atrito entre ambos, pois assim como o restante da família, o recém chegado se negava a querer entender o que havia acontecido com o avô.

Mas quando Samir foi ao bar e encontrou velhos conhecidos da família, os quais também haviam tido uma relação com o avô sumido, acabam falando coisas a respeito do mesmo. E a partir desses comentários despretensiosos, o longa-metragem entra em seu ápice e os principais acontecimentos começam a se desencadear.

Assim como disse a diretora Jihane Chouaib, De Volta, que estreia dia 25 de janeiro, é uma produção que visa, por meio do desaparecimento de um ente familiar, mostrar a realidade pós guerra civil ocorrida no Líbano. Esse detalhe, por vezes, faz do filme um documentário dramático, que tem início com a curiosidade.

Com o papel interpretado por Golshifteh Farahani, outra questão é posta à prova: o retorno de fugitivos de guerra, detalhe que cabe muito bem atualmente visto os constantes conflitos na Síria e os propagados pelo Estado Islâmico. Mas o que se vê com a soma de todas essas reflexões é que De Volta mostra a paixão pelo Líbano. Um patriotismo intrínseco.