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Dona Flor e Seus Dois Maridos é uma história de Jorge Amado e uma das mais icônicas da literatura nacional, já tendo sido adaptada para cinema, televisão e teatro. Agora em 2017 está voltando para a tela grande sob a direção de Pedro Vasconcelos (O Concurso). Estrelado por Juliana Paes, Marcelo Faria e Leandro Hassum como os personagens título do filme, e estreará dia 23 de novembro.

Bem, a história é aquela que todo mundo conhece: Flor (Juliana Paes), uma mulher honesta e batalhadora, se casa com o boêmio Vandinho (Marcelo Faria), um homem da farra e jogatina, que apesar de amar muito sua esposa, é agressivo e vive às custas dela, e a única coisa que tem a oferecer é na cama. Ele vivia a vida no limite e dessa forma morre subitamente no domingo de carnaval, deixando Flor viúva. O tempo passa e a moça se casa novamente, dessa vez com um homem totalmente o oposto de seu primeiro marido, o farmacêutico Teodoro (Leandro Hassum), um homem extremamente metódico e trabalhador. Agora Flor tem tudo o que nunca teve com Vandinho, um marido que sustenta a casa e que a respeita. Contudo a vida sexual deles é tão sem graça que Flor constantemente fica se lembrando dos momentos que passou com o falecido marido e assim, em uma noite qualquer, ele reaparece.

Flor passa por inúmeros momentos constrangedores devido ao espírito de Vandinho ter voltado, e passa a maior parte do filme recusando-se a deitar com o primeiro marido, pois a ideia de trair Teodoro é terrível demais para uma mulher tão honesta quanto ela. Mas enfim, cede aos encantos do falecido.

Nessa nova versão, Pedro Vasconcelos traz uma direção eficaz, com umas sacadas quando Vandinho volta como espírito e usa muito de contraluz. O roteiro não é linear, o que em certas partes pode ser um pouco confuso, mas no geral conta a história de uma forma mais atrativa. A fotografia é interessante, bem colorida, dando um ar meio lúdico. A trilha sonora em si poderia ser melhor.

Sobre as atuações, elas são boas, principalmente de Juliana Paes, que convence como Dona Flor, transparecendo realmente entender quem é esta mulher, com todas as suas contradições e nuances. Definitivamente a melhor escolha pra substituir Sônia Braga. Marcelo Faria está muito bem no papel o que é de se esperar, visto que ele fez a peça por muitos anos, e claramente ele não vê problema em fazer cenas nu. Leandro Hassum continua caricato como sempre.

Nesse remake fica claro que Pedro Vasconcelos passou um pano na violência doméstica, e romantiza muito a relação de Flor e Vandinho, o que difere do primeiro filme. Marcelo Faria ajuda muito nessa parte, devido à sua simpatia, que leva para o personagem. O filme mostra um pouco da cultura baiana, menos do que o esperado, pois se passa quase que completamente na casa. As cenas de sexo, que são meio que um pilar para a história, são bonitas, não tão explícitas, contudo muito demoradas.

Dona Flor e Seus Dois Maridos de 1976 foi a maior bilheteria nacional por mais de 30 anos até chegar Tropa de Elite 2. É muito difícil que a versão de 2017 tenha um impacto tão grande quanto o primeiro, mas remakes são coisas complicadas. Não é um filme ruim, mas não vai virar um clássico. De qualquer forma, é bom ver no cinema pra prestigiar o cinema nacional, que esse ano está bem movimentado.