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Eu, Tonya é um filme biográfico, que vem arrecadando prêmios nas categorias de atuação, sobre a vida de Tonya Harding (Margot Robbie). Se você não conhece esse nome, ela era uma patinadora artística, que chegou a ser a melhor dos EUA no início dos anos 90 mas que também se envolveu em um escândalo, o que causou o fim prematuro de sua carreira e a tornou em uma das maiores vilãs do esporte americano.

Tonya era uma garota de origem humilde, que desde cedo demonstrava um grande talento para a patinação no gelo. Sua mãe (interpretada por Allison Janney) não era nada carinhosa e impulsionava a menina a patinar tratando-a de modo hostil e agressivo, dizendo que quanto mais raiva Tonya tinha, melhor ela patinava. Assim como o relacionamento abusivo com a mãe, o filme também aborda o relacionamento conturbado com Jeff Gillooly (Sebastian Stan), seu namorado e depois marido. Mostrando como a vida familiar de Tonya, que acabava sendo disfuncional, influenciava em sua patinação, tanto para o bem quanto para o mal.

Tonya Harding foi a primeira mulher americana a conseguir completar um triple axel (um movimento onde o atleta salta de frente e gira três vezes e meia) de forma correta, o que a impulsionou a ser reconhecida como uma das melhores patinadoras artísticas dos EUA. Mas também virou uma personalidade muito importante na mídia devido ao envolvimento no maior escândalo esportivo até então, quando estava prestes a ir para a sua segunda olimpíada de inverno: O ataque com um bastão ao joelho de Nancy Kerrigan, que foi orquestrado por seu marido e seu guarda costa. Assim, Tonya foi julgada como culpada por obstruir a investigação e proibida de patinar pelo resto da vida.

Eu, Tonya é dirigido por Craig Gillespie (Horas Decisivas), roteirizado por Steven Rogers (P.S. Eu te amo) e estreia no Brasil dia 15 de fevereiro. É uma comédia com um grande peso dramático. Quando se propõe a ser engraçado, consegue, e quando precisa ser tenso, também. O filme utiliza de recursos como entrevistas, que foram recriadas a partir de entrevistas reais, para dar a direção da narrativa e quebra da quarta parede, para inserir comentários durante as cenas. Esses dois recursos foram muito bem utilizados, pois permitem que os personagens expressem suas respectivas verdades, que constantemente se contrariam. E talvez essa fosse a única forma possível de contar essa história tão contraditória.

A direção tem um tom leve, descontraído porém seguro, e explora as oportunidades que a narrativa oferece para fazer planos diversos, que agrega um charme a mais ao filme, como plano sequência e slow motion. A trilha sonora se sobressai e compõe muito bem as cenas, junto com a fotografia, que dão o tom certo para combinar com a estética do final dos anos 80, início dos anos 90.

O ponto alto do filme, de longe, são as atuações. Margot Robbie traz sua melhor atuação e Sebastian Stan convence muito bem como um marido agressor mas que não consegue viver sem Tonya. Mas é Allison Janney quem rouba a cena constantemente como a mãe excêntrica e carrasca, não é a toa que vem acumulando indicações aos prêmios da temporada e até agora já venceu o Globo de Ouro e o Critics Choice Award.

A única coisa que pode incomodar o espectador é a computação gráfica nas cenas de patinação. O corpo todo é real, mas o rosto das atrizes, Mckenna Grace (Tonya aos 12) e Margot Robbie, são perceptivelmente inseridos de forma artificial, o que chama a atenção, e isso pode distrair um pouco quem assiste, mas nada que vá estragar a experiência.

Eu, Tonya, é uma comédia dramática sobre a vida complicada de uma mulher singular e um dos maiores escândalos do esporte mundial. É um filme que fala sobre péssimas decisões de vida e a obsessão midiática. O qual consegue conquistar o espectador facilmente, contando uma história extremamente interessante e contraditória. Que não somente é sobre como uma pessoa pode ser tão amada e tão odiada, mas também como não existe uma única verdade, pois na vida, o que importa realmente é a nossa própria verdade. E esta que logo será exibida nos cinemas brasileiros, é a verdade de Tonya.