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No cotidiano existem vários assuntos que são difíceis de serem abordados. Alguns às vezes são até tabus. Certos temas tratam de vivências, crenças, realidades distintas, opiniões. Um em especial é o bullying. O fato é que, se houver uma pessoa que ainda não tenha passado por isso, um dia vai passar. Mas no longa-metragem Extraordinário, esse não é o caso de August Pullman (Jacob Tremblay), conhecido como Auggie.

Auggie é uma criança que, desde pequeno, teve de lidar com o preconceito e os maus tratos alheios. Tudo por causa de uma má formação facial que o obrigou a passar por inúmeras cirurgias para reconstruir o rosto. Aos 10 anos de idade August começa, por sugestão de sua mãe, Isabel (Julia Roberts) e seu pai, Nate (Owen Wilson), a frequentar a escola, até então um de seus maiores temores.

Mas antes mesmo das aulas do Beecher Prep, uma tradicional escola do bairro North River Heights, começarem, Auggie foi conhecê-la. Lá, ele conhece o Sr. Buzanfa (Mandy Patinkin), o diretor do local, o qual o apresentou para três alunos. Jack Will (Noah Jupe), Julian (Bryce Gheisar) e Charlotte (Elle McKinnon) são os estudantes escolhidos por Buzanfa para fazer um passeio com August pela escola.

Durante o processo, Jack e Charlotte sempre se mostraram gentis com Auggie. Mas Julian se comportou do modo oposto, o que assustou o protagonista e o fez querer ir embora assim que o tour terminasse. E claro que esse passeio seria o assunto da família por um tempo, afinal, todos queriam saber se o menino toparia ou não ir à escola.

Ao chegar em casa, Auggie foi logo questionado pela irmã Olivia (Izabela Vidovic), conhecida como Via, sobre como foi. Auggie diz sempre, para todo tipo de pergunta sobre o assunto, que foi tudo bem. Mas em um dia especial, não consegue esconder o que de fato sente.

No Halloween, sua data preferida, Auggie se vestiu de Pânico para ir à escola. Ao chegar na sala de aula, viu Jack e Julian conversando sobre ele e quis saber o que diziam. Como estava fantasiado, os meninos não saberiam que ele estava lá. O problema é que o que foi ouvido não o agradou. Eis então o estopim de Extraordinário.

Dirigido por Stephen Chbosky, o filme é naturalmente uma lição de vida. Tendo como tema central o bullying, o filme mostra como o preconceito tem o poder de definir com quem se relacionar se baseando meramente na aparência. Mas isso vai se desconstruindo na medida em que as características de cada personagem vai se tornando gradativamente mais claras.

Se adequando muito bem à realidade em que vivemos, na qual marcas de roupas, dinheiro e carro são os definidores de quem somos, Extraordinário, que tem estreia no Brasil para o dia 7 de dezembro, resgata a pureza do ser humano. Ele, brilhantemente, relembra que a essência de cada um está no agir e pensar. Está no respeito.

A adaptação cinematográfica do livro homônimo de R. J. Palacio, tem como objetivo principal fazer com que a palavra "julgamento" fique em evidência, afinal, ela, ao ser guiada pelo preconceito, definirá a imagem das pessoas para o mundo exterior. Imagem essa que, cegamente, desejamos que seja a da perfeição.