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A história real de Gabriel Buchmann, economista brasileiro que morreu enquanto fazia uma trilha na África, em 2009, agora será contada nas telas de cinema com filme Gabriel e a Montanha, que tem estreia em todo o Brasil no dia 2 de novembro de 2017.

O filme já se inicia no momento em que trabalhadores rurais da região do Monte Mulanje, acham o corpo de Gabriel, que estava sumido há 19 dias. E então a história volta para 70 dias antes deste acontecimento. Gabriel, um jovem flamenguista, aventureiro e idealista, está fazendo um mochilão pela Ásia e África antes de iniciar seu pós-doutorado em políticas públicas para países em desenvolvimento pela UCLA, está hospedado na casa de alguém que conheceu no Quênia, e de uma forma "não turística e sustentável", vivência os costumes daquele povo.

E o filme vai seguindo Gabriel em suas andanças pelo continente africano. O rapaz faz amizades em todos os lugares que passa, chega ao topo de uma montanha do Quênia, reencontra sua namorada Cris, fazem um safári na Tanzânia, a namorada volta para o Brasil e ele segue para Malawi. Gabriel queria subir e descer o Monte Mulanje em menos de um dia, pois precisava sair do país no dia seguinte, nessa pressa ele dispensa o guia e segue sozinho, o que eventualmente ocasiona sua morte.

Gabriel e a Montanha é um filme belíssimo, sobre um jovem que estudou nas melhores escolas e que queria melhorar a educação nos lugares mais carentes. É um filme inspiradíssimo sobre viagem e ver a vida sob outra perspectiva, além de ser uma homenagem para alguém que infelizmente morreu cedo demais.

João Pedro Zappa e Caroline Abras, os únicos atores profissionais do filme, estão maravilhosos. Suas performances são tão verossímeis que é possível se esquecer que eles são atores interpretando papéis de pessoas reais. O restante do "elenco", por mais que não seja de profissionais do cinema, está muito bem também, cada pessoa que Gabriel conheceu de verdade, interpretou a si mesmo no longa.

Este filme já seria uma história emocionante por si só se fosse um roteiro original, mas sendo uma história real, adaptada para o cinema da forma mais verdadeira, potencializa o sentimento da obra. O diretor, Fellipe Barbosa, foi amigo de Gabriel por muitos anos. Sua câmera é uma espectadora presente o tempo todo. Fellipe usa de sequências longas, sem muitos cortes, cenas que possam parecer diálogos soltos, mas nada ali é desnecessário ou sem importância. A direção não chama atenção para si, mas é extremamente eficiente. O roteiro de Fellipe Barbosa e Lucas Paraizo é o mais natural possível, as cenas fluem como se fosse tudo espontâneo, o que não é de se esperar, visto que muitos diálogos são feitos com pessoas que não são atores. E a fotografia explora lindamente das paisagens dos países africanos, revelando inúmeras belezas, que normalmente não são lembradas pelo cinema convencional.

Gabriel e a Montanha é um filme longo, mas com um ritmo tão bom que não é possível perceber suas 2 horas e 11 minutos. É uma obra que permanecerá com o espectador por um bom tempo. Algo como uma versão brasileira de Na Natureza Selvagem, mas com seus próprios méritos. Quem der uma chance para esse filme, não vai se arrepender.