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Invisível, que estreia no Brasil dia 9 de novembro, é um drama argentino dirigido e roteirizado por Pablo Giorgelli. Conta a história de Ely (Mora Arenillas), uma jovem de 18 anos que está acabando a escola e trabalha em uma clínica veterinária. Ela mantém uma relação somente sexual escondida com o filho de seu chefe, que é casado, e descobre que está grávida.

Ely sabe que irá fazer um aborto, não quer e nem pode ter o bebê, é muito jovem e não tem condições. Sua mãe está claramente com depressão por algo que aconteceu em seu trabalho, passa os dias na cama e nunca quer sair de casa. E o pai da criança não assumiria o filho. Então ela e uma amiga começam a pesquisar como fazer um aborto, mesmo sendo ilegal na Argentina. Enfim ela consegue, clandestinamente, comprar um remédio que irá por fim na gravidez . Ely parece muito segura com a sua decisão e conta ao pai da criança, que a ajuda a ir em uma clínica clandestina, para fazer o aborto de forma mais segura. Mas agora Ely já não tem mais tanta certeza sobre sua decisão.

Logicamente o assunto aborto é ainda um tabu em muitos lugares, na Argentina, assim como no Brasil, contudo em Invisível, não foi tratado dessa maneira. Em momento algum o aborto é mostrado como algo condenável pela igreja, ou como essa escolha de Ely existir devido a ela ser feminista ou coisa do tipo. Essas discussões que normalmente acompanham esse assunto não foram abordadas no longa. Pablo Giorgelli não focou nisso e foi um acerto. O que importa aqui é Ely e sua vida.

Invisível é um filme lento, quase parado, sem trilha sonora. Que, pelo silêncio da protagonista, transmite seu estado de espírito, pois quem nunca ficou calado quando estava preocupado com algo? O filme todo, a direção, a fotografia, a atuação de Mora Arenillas, tudo passa uma sensação de melancolia. A câmera de Giorgelli segue Ely por sua rotina diária como um espectador distante, e a fotografia usa e abusa de tons acinzentados e cenas escuras.

Apesar da personagem principal não falar quase nada durante o filme todo, é impossível não sentir uma compaixão por ela. A atuação de Mora Arenillas pode parecer apática, como se isso fosse devido à falta de talento da atriz, contudo é o contrário. Sem muitas falas, a atuação é baseada na suavidade de suas expressões. E isso faz com que seja extremamente real, e seu silêncio grita. Por exemplo, a mudança de opinião de Ely é mostrada em uma cena onde ela está sozinha em uma sala e somente o que comunica isso são suas expressões.

Invisível não é um filme onde o espectador espera que o pai da criança vá largar seu casamento para ficar com Ely e criarem a criança juntos, não há uma romantização, eles nem sequer possuem algum tipo de vínculo emocional. E é assim que o filme trata a história, fria e objetivamente. Pois, querendo ou não, é uma história comum. Quantas Elys não existem por aí, passando despercebidas pelo mundo?

E talvez por abordar a história dessa forma, seja mais interessante do que se o longa fosse um dramalhão. A falta de um sentimento aparente emociona mais e faz pensar mais, do que se fosse tudo mastigado para o expectador. Invisível é um filme difícil de assistir, contudo não é um filme que deveria passar em branco.