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Lucky (Harry Dean Stanton) é um senhor de 93 anos e antigo marinheiro que trabalhava como cozinheiro em um navio petroleiro na época da 2ª Guerra Mundial, foi nessa época que surgiu seu apelido e como ficou conhecido. Ele mora nos arredores de uma pequena cidade localizada no meio de um deserto, sua casa é a mais distante do ponto de referência das pessoas, a igreja.

Metódico, pessimista, crítico e cético, ao acordar ele acende um cigarro, liga o rádio, levanta da cama e vai até a sala onde apaga seu cigarro e começa a fazer seus exercícios físicos, após isso vai até a geladeira e pega um copo com leite. Depois toma banho, troca de roupa e vai até a cidade andando, lá vai direto até uma lanchonete tomar seu café da manhã.

Sua rotina ainda consiste em: ir ao mercado, voltar para casa, ver programas de televisão, falar ao telefone, fazer mais exercícios, ir ao bar encontrar seu amigo Howard (David Lynch) e depois retornar para casa aonde vai se preparar para dormir. Todo dia é sempre a mesma coisa, até que em determinado momento ele começa a repensar sobre o que é a morte e o que ela representa.

O diretor John Carroll Lynch e o diretor de Fotografia Tim Suhrstedt, utilizaram planos fechados para mostrar momentos de profundidade, reflexões do personagem, além dos planos gerais usualmente utilizados para mostrar detalhes do cenário e também, em determinadas cenas, para trazer a perspectiva de que há um ser externo observando o desenrolar da história e acompanhando o dia a dia de Lucky.

O filme utiliza uma variada cartela de cores quentes (vermelho, laranja e amarelo principalmente) para guiar momentos de descoberta e felicidade de Lucky e poucas cores frias (cinza e preto) que marcam determinados pontos da história e possuem certa relevância para mostrar o desenvolvimento do personagem masculino. O progresso de Lucky durante o decorrer da história foi natural, não existem pontas soltas com relação ao seu amadurecimento. Esse processo foi bastante lento, progressivo e subjetivo.

O enredo é denso e subjetivo e isso acaba permitindo que assuntos tão delicados como morte, existência e crenças fossem trabalhados naturalmente, então acabou sendo algo a ser bastante refletido e digerido no decorrer das cenas. E mesmo sem um drama ele não possui uma carga tão pesada quanto se espera de um filme desse gênero. Lucky tem uma duração de 1h28min e estreia no dia 7 de dezembro. É uma história envolvente, questionadora e reflexiva e, para quem gosta de dramas mais leves, pode ser uma boa escolha.