Johann Sebastian / Allmanaque

No último domingo, dia 22 de outubro, aconteceu a apresentação da peça Meu Passado Me Condena, no Teatro Guararapes, em Recife, que é estrelada por Fábio Porchat e Miá Mello. A comédia, apresentada no decorrer de 70 minutos, conta um recorte da vida dos personagens Fábio e Miá que acabaram de se casar. Em sua primeira noite no apartamento onde irão morar, os dois conversam sobre o futuro, o presente e, principalmente, o passado de suas vidas, e discutem como isso influenciará o casamento.

Uma das maiores bênçãos da peça é o fato da mesma se passar toda em um cenário. O apartamento, cheio de caixas de mudança com itens misteriosos dentro, serve como um catalisador perfeito para a discussão dos dois (e que, muitas vezes, é mencionado nas piadas do show), pois não necessita de mudança e, por ser pequeno, torna a conversa mais íntima, além de dar uma excelente mise-en-scene. A peça tem um bom uso do artifício de roteiro da "arma de Chekhov", onde um item só pode e deve aparecer caso ele seja útil mais na frente. Os objetos que são retirados das caixas no desdobrar da apresentação são sempre exibidos de forma cômica e deixados de lado, para mais a frente terem outra função (também cômica, claro), dando pano para excelentes piadas na peça.

Porchat e Mello mantém uma química louvável durante toda a obra. Mello brilha representando uma mulher com muito mais experiência e que leva a vida com mais seriedade, mesmo tendo seus excelentes momentos de comédia. Porchat está impagável como sempre. Seu humor físico e seu jeito hiperativo oferecem momentos de pura comédia, lembrando algo como Buster Keaton muitas vezes.

Em seus três atos, a peça tende a ficar mais clichê e menos engraçada em seu terceiro e último ato. Utilizando várias muletas narrativas para poder evocar sentimentos forçados, a última fração da composição deixa bastante a desejar, levando em conta a agilidade e energia comédica das outras duas partes. Ao fim de toda a apresentação, Fábio e Miá começaram uma espécie de entrevista com a plateia, perguntando a cidade de alguns e algumas curiosidades, rendendo boas piadas improvisadas e terminando todo o show em bom tom.