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O Outro Lado da Esperança, filme do cineasta finlandês Aki Kaurismäki, que estreia de 9 de novembro, conta a história de Khaled (Sherwan Haji), um rapaz sírio que fugiu da guerra e procura asilo político na Europa, passando por diversos países até chegar à Finlândia, enquanto busca saber do paradeiro de sua irmã. E de Wikhström (Sakari Kyosmanen), que larga sua mulher alcoólatra, assim como o ramo de vender camisetas, e devido a um dinheiro ganho no poker, tem a possibilidade de investir em um novo empreendimento.

O roteiro mostra a trajetória paralela desses dois homens e como, quando intersectadas, elas influenciam na vida um do outro. Após ser recusado como imigrante legal, Khaled foge da polícia e felizmente consegue a ajuda de Wikhström, que o contrata em seu restaurante. E assim os dois se ajudam no que podem. Ambos são simplesmente pessoas que querem melhorar de vida, seja revitalizando um restaurante ou fugindo de um guerra.

O Outro Lado da Esperança é um filme que ilustra as mazelas das vidas de pessoas refugiadas. Até chegar na Finlândia, Khaled atravessou diversos países, sofreu de inúmeras maneiras, se perdeu de sua irmã, até conseguir embarcar clandestinamente em um navio de carvão, e surgir como uma fênix renascendo, ao chegar à Finlândia. Enfrenta dificuldades de se estabelecer no novo país assim como sofre com a xenofobia.

Definitivamente esse é um tema de extrema importância no mundo atual, apesar de muitas vezes ignorado. E dessa forma, Kaurismäki, em seu roteiro, bota um dedo na ferida, mas tratando do assunto de forma despretensiosa e sem forçar um discurso político. O tema pode ser pesado, mas é tratado de forma lúdica, misturando ao humor, fazendo assim algo único. O humor por sua vez, se baseia na realidade europeia, tão alheia a certos problemas do mundo que chega a ser risível. Assim, o drama e a comédia, representados respectivamente por Khaled e Wikhström.

É um filme sutil mas preciso. Há, por exemplo, uma cena, onde os guardas da imigração estão resolvendo se permitem que Khaled permaneça no país e decidem que não há necessidade disso, devido à área da Síria que ele mora, e pouco tempo depois é mostrada uma TV ligada dizendo que os ataques naquela exata área são muito frequentes. Essa contradição dos discursos é um exemplo claro da essência do filme.

A direção de Kaurismäki, juntamente com a fotografia e a paleta de cores chamam muito a atenção nesse filme, é possível ver todo o cuidado artístico existente. E com certeza não é filme para todos, seu ritmo é lento e o humor finlandês é muito diferente do que o brasileiro está acostumado, mas se for do seu agrado ver uma história pertinente, contada de uma forma revigorante, que ainda faz refletir, não se acanhe.