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Comandado pelo diretor estreante Michael Gracey, com roteiro de Bill Condon (A Bela e a Fera) e Jenny Bicks, e estrelado por Hugh Jackman, chega aos cinemas brasileiros no natal o filme O Rei do Show, que conta a história de P. T. Barnum, um showman empreendedor que mudou a história do entretenimento no século XIX.

O filme se inicia em uma bela cena musical, sobre como o circo é o melhor lugar do mundo, mas a história de fato começa quando o grande showman era apenas um garoto cheio de sonhos, que ajudava seu pai alfaiate e conhece uma garota chamada Charity, com quem passaria anos conversando por cartas. Então o pai de Phineas morre prematuramente e o garoto se vê obrigado a fazer de tudo para sobreviver, roubando pães, e fazendo até pequenos trambiques para conseguir dinheiro, como vender jornais velhos. Os anos passam e finalmente o jovem sonhador volta à casa de Charity para que eles comecem uma vida, simples, porém juntos. Com o tempo a dificuldade somente aumenta, agora o casal tem duas filhas e Phineas se encontra sem um emprego novamente, e é então que ele tem a ideia de montar um museu de curiosidades, que eventualmente se tornaria em um circo de aberrações.

Esse empreendimento era uma ideia extremamente arriscada, contudo deu muito certo. Por mais estranho que fossem as atrações, as pessoas iam assistir o show e se surpreendiam. Mas até mesmo naquela época já existiam os "haters", como as pessoas que não aceitavam as "criaturas" do circo por elas serem diferentes, ou as pessoas da classe alta da cidade, que não aceitavam as apresentações como arte. E, por ser o dono de tudo, Phineas era alvo de muitas críticas, mas também ficou muito famoso, chegando até a ser convidado para conhecer a rainha da Inglaterra. Contudo, quanto mais ele focava no circo e sua ambição o levava mais longe, mais distante de sua família ele ficava.

O Rei do Show é um musical com tudo a que um filme desse gênero tem direito. Ainda mais se levar em conta que é sobre um circo e as pessoas que nele trabalham. O filme todo é um espetáculo de música, dança, emoções e cores, que fala sobre o entretenimento, a aceitação e família.

Contudo o filme ainda têm suas falhas, como não trabalhar melhor a personagem da Charity (Michelle Williams), mulher de P. J. Barnum, pois ela fica muito esquecida da metade do filme pra frente e sua única característica marcante é apoiar o marido. Outra subtrama que tinha mais potencial é a do romance entre os personagens de Zac Efron, o produtor de teatro Philip Carlyle, e Zendaya, a acrobata negra Anne Wheeler. Tudo bem que os dois se gostam e "não podem ficar juntos" devido ao preconceito da sociedade, mas esse romance foi muito jogado, do nada eles se olharam, se gostaram e logo depois já estavam cantando que não poderiam ficar juntos.

Mas agora sobre os acertos: os números músicas são muito bem dirigidos e coreografados, as músicas são cativantes. Nesse filme todas as cenas de música tem um propósito, como diálogos importantes, passagem de tempo, mostrar o que está na cabeça dos personagens, enfim. E pelo filme se tratar sobre um circo de pessoas com características marcantes, outro acerto é a mensagem de aceitação e de que qualquer pessoa merece amor e respeito independente da sua aparência.

Sobre as atuações no geral, todos os atores entregam performances competentes, mas Hugh Jackman brilha como o homem ambicioso, que queria ser amado por todos mas depois redescobre a importância da família. De fato ele é um showman, canta e dança incrivelmente durante o filme inteiro, se mostrando novamente como um ator muito versátil.

O Rei do Show é um filme que provavelmente não vai agradar a todos, é um pouco previsível e se baseia muito no espetáculo grandioso, ou seja, se você não gosta desse tipo de coisa, é provável que o filme não te agrade em inúmeras partes. Sem falar que é baseada em uma história real, mas, por ser um musical, a adaptação não deve ser tão fiel, pois P. T. Barnum era conhecido por suas fraudes e afins, e no filme esse detalhe é suavizado. Contudo suas músicas são agradáveis, esteticamente o filme é lindo, e a história traz pontos importantes como valores que não deveriam ser esquecidos. No geral é um filme que entretém na medida certa e vale a pena ser visto no cinema.