Divulgação

Uma companhia de balé está prestes a se apresentar. As dançarinas estão nervosas para entrar no palco mas seguem decididas. Esta é uma cena corriqueira no mundo da dança. E então somos apresentados à dona da Associação de balé e artes para cegos Fernanda Bianchini. Fernanda começa a contar sua história junto com a da associação, enquanto passam cenas dela dando aula para crianças pequenas. "Olhe para as estrelas!", ela diz para um menino de uns 4 anos ao mostrar como ele deve dançar, e que mesmo sem enxergar, ele deve olhar para cima, para as estrelas. Logo nas primeiras cenas é impossível não se emocionar.

Também somos apresentados à Geyza e Thalia, as personagens que o documentário segue. Ambas perderam a visão ainda na infância e acharam no balé, um lar. Geyza dança há 17 anos, é uma das principais dançarinas da escola, foi uma das primeiras alunas de Fernanda quando ela fundou a associação, agora também dá aula e está prestes a se casar. Thalia é uma adolescente que está acabando o ensino fundamental, frequenta a associação desde os seis anos e precisa lidar com as mudanças que a idade trás. Ambas moram em regiões periféricas de São Paulo e se locomovem até o bairro da Vila Mariana para terem suas aulas de Balé. Durante o filme conhecemos suas rotinas, alguns membros da família e as dificuldades enfrentadas por essas moças.

Olhando Para as Estrelas é um documentário extremamente tocante, dirigido, roteirizado e editado por Alexandre Peralta. É uma história de desafios que são vencidos e dificuldades que parecem irrelevantes quando o amor e a dedicação por algo como o balé é tão grande. São personagens reais e inspiradoras, desde as dançarinas com deficiência visual aos professores, que mesmo com as dificuldades de ensinar balé para pessoas que não enxergam, não pensam em desistir nunca de incentivar essas moças. Além da história contada ser belíssima, as cenas são muito bem conduzidas, com takes inspiradíssimos, que revela toda a beleza dessa arte. Alexandre Peralta faz um ótimo trabalho em conquistar visualmente o espectador.

Em 1 hora e meia de filme, acompanhamos as vidas dessas moças por vários meses, vemos mudanças significativas em suas vidas e como elas lidam com isso. Como, até com as adversidades impostas pela vida, elas não descansam de perseguir seus sonhos. Mesmo sabendo a dificuldade que é viver da arte, sem nem mencionar suas deficiências, elas vão em frente e se apresentam para um teatro lotado. Remetendo ao início do filme, quando não sabíamos de suas deficiências e assim fazendo com que a emoção seja muito maior. Trazendo um sentimento de orgulho dessas meninas, pois elas fazem mais do que a maioria das pessoas tentam fazer para atingirem seus sonhos.

Realmente, é capaz que o espectador chore o filme todo, e isso é muito bom, pois é impossível sair ileso da sessão. Outro acerto de Alexandre Peralta, é não tratar essas moças como vítimas ou não ficar batendo na tecla da superação, elas são somente elas mesmas, mulheres normais que se dedicam a fazer o que amam.

Olhando Para as Estrelas, que estreia dia 9 de novembro de 2017, é uma linda obra de arte, e quem se deparar com esse filme em cartaz e assistir à sessão, terá uma experiência gratificante.