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Jogos de luta nem sempre apresentam a mesma fórmula de sempre. Games como Divekick e o cancelado (mas interessantíssimo) Rising Thunder tentaram mostrar ao mundo eletrônico que jogos de luta podem inovar de diversas formas. One Strike é um desses jogos que se diferenciam da maioria presente no gênero, mas não necessariamente valida o jogo como excelente.

Disponível para PC, Linux e Mac, One Strike é um jogo simples em toda a sua essência. Gráficos em pixel art, trilha sonora emulando os 8/16 bit e uma jogabilidade convidativa representam bem isso. O conceito é descomplicado: batalhas mano-a-mano com poucos verbos (andar, atacar, defender e esquivar) e que, com apenas um golpe, um dos dois lutadores sai vencedor da partida. OS apresenta quatro modos de jogo: The Only Life, Arcade, Team Duel e Tournament. No primeiro, você tem apenas uma vida para derrotar um oponente de cada vez que aparece no cenário. Caso você morra, terá de reiniciar todo o seu progresso. Arcade já apresenta uma mecânica mais chamativa. O modo procede do mesmo jeito que o The Only Life, mas ao invés de uma, você tem cinco vidas para tentar vencer as partidas. Team Duel é o modo multiplayer e Tournament permite que você monte, jogue e assista um pequeno torneio com os personagens do jogo. Com lutas que duram menos de 10 segundos, One Strike tenta ser chamativo em vários aspectos para atrair uma gama enorme de jogadores. E não é pra menos. As batalhas rápidas permitem com que o jogador (ou jogadores) jogue várias partidas para passar da curva de aprendizado e masterizar (com sua licença) os comandos do jogo. De fato, One Strike permite uma gama de estratégias, onde a maioria delas está mais na cabeça do jogador do que na própria tela. Como um bom jogo infantil de 007 (onde você e um colega representavam, com as mãos, uma das três ações: defender, recarregar ou atirar), as batalhas do game, apesar de fugazes, permitem um pensamento estratégico. "Será que ele vai atacar?"; "Melhor esquivar agora ou dar o golpe?"; "Seria a defesa um bom uso aqui?" são indagações constantes nas partidas.

Não que isso seja novidade. Outros jogos de luta já brincaram com essas ideias, como o excelente Bushido Blade (da Square Enix), que apesar das longas lutas, um golpe bem posicionado pode acabar o combate, e o divertidíssimo Divekick, que utiliza apenas dois botões, um de pulo e um de chute, e que, também, acaba as partidas com apenas um golpe. A grande diferença destes jogos para One Strike está na execução. Apesar de ter um conceito interessante, OS acaba ficando um pouco pra trás por alguns fatores. Primeiramente, as ações (já mencionadas) não funcionam tão bem quanto parecem. Apesar do golpe sempre bancar o hit, a defesa parece ter um hitbox (o campo de acerto do personagem) um pouco quebrado, com alguns golpes não sendo bloqueados mesmo quando o personagem está defendendo (muito provavelmente por que a animação de bloqueio estava se encerrando). Falando na defesa, o outro método para tentar se defender é utilizando a esquiva (que nada mais é que um dash para trás). Porém, a ação fica apenas sendo um método menos utilizado, uma vez que ela não adiciona muita coisa à jogabilidade. Seria interessante uma espécie de parry, onde o jogador, quando defendesse ou esquivasse na hora certa, poderia desferir o golpe final no oponente. Ou até menos dramático: algo como o Advancing Guard de Marvel vs. Capcom 3, onde o lutador, ao realizar uma defesa perfeita, empurra o oponente para trás, dando a ele uma janela de oportunidade para realizar o ataque, podendo o oponente ainda defender de volta.

São as coisas pequenas que fazem One Strike se distanciar do potencial que realmente tem. E como tem: seu estilo de arte é extremamente bem cuidado e a trilha sonora, composta por Diogo Bazante, dá muito mais vida ao jogo. Além disso, mesmo com estes problemas, o jogo ainda permite uma diversão descontraída em seus quatro modos de jogo.