Júlia Queiroga / Allmanaque

Não basta um livro de crônicas, tem de ser mais um livro de Fabrício Carpinejar sobre amor. São textos simples, curtos (a maioria tem até 4 páginas) e são tão verdadeiros que chegam a ser um tapa na cara, de tão realistas que são. A obra foi lançada em 2015, pela editora Bertrand Brasil, do Rio de Janeiro.

Ao falar sobre amor ele não idealiza ou faz floreios sobre esse sentimento. Logo no começo Carpinejar afirma:

"O amor não é para os fracos
Amor é o que fica depois do desespero
Amor é o que fica depois da vingança
Amor é o que fica depois da solidão
Amor é o que fica depois das brigas
Amor é o que fica depois da bebedeira
Amor é o que fica depois da fofoca
Amor é o que fica depois da raiva
Amor é o que fica depois dos erros
Amor é o que fica depois da cobrança
Amor é o que fica depois do cansaço
Amor é o que fica depois de ir embora
Se o amor ficou depois de tudo
Não finja que ele é nada.
"

É com base nessas frases, e mais algumas outras questões, que ele responde em seu livro. Um exemplo é "Amor é o que fica depois da vingança", é normal pensar que seria se vingar da ação de outra pessoa sobre você, porém, na realidade, ele fala que a vingança é um efeito colateral de "se achar demais", da vaidade, de "se achar o último biscoito do pacote". Segundo Carpinejar, a pessoa vaidosa pensa que, ao namorar, está fazendo um favor.

Existem alguns textos extremamente irônicos, como o Fico Feliz Que Você Não Me Responde. Em meio a uma sociedade que praticamente morre, fica ansiosa e angustiada quando a outra pessoa demora a responder. Essa e outras situações são analisadas e questionadas por ele, situações do cotidiano que muitos casais já passaram. Para Onde Vai o Amor? é para quem quer ler sobre amor sem idealizações e bem realístico, além de refletir bastante sobre tudo.