Júlia Queiroga / Allmanaque

Post Mortem é o livro inaugural da série Scarpetta, escrito por Patricia Cornwell e originalmente publicado pela editora Companhia das Letras, e depois pela Editora Paralela que é uma ramificação do grupo. A história é sobre um caso de assassinato de mulheres durante a noite de modo cruel e frio. A médica legista da cidade chama-se Dra. Kay Scarpetta e a proposta do livro é falar sobre a resolução de um mistério sobre a ótica de quem está cuidando da investigação, analisando as pistas nos corpos.

A narrativa do livro é lenta no começo e a autora busca falar primeiro sobre a situação de Dra. Scarpetta, a única chefe mulher no local, e fala de toda questão do machismo em si. A personagem no decorrer da história relata algumas cenas e momentos que aconteceram durante a faculdade, mas não chega a se aprofundar muito e é algo mais pontual na história. A intenção parece não ser discutir isso de forma direta, porém, simultaneamente, ainda abordar o assunto.

Apesar de ser extremamente importante discutir sobre o machismo, a autora não conseguiu trabalhar tão bem juntamente com a perspectiva do mistério. Não houve um equilíbrio entre as duas coisas e isso prejudicou o desenrolar da narrativa. A história começa a ganhar ritmo da metade pro final do livro.

O enredo é bem construído, tem bom desenvolvimento e ainda trabalha bem o medo que as mulheres sentem em determinadas situações. Além de mostrar um pouco da empatia existente entre as mulheres, um exemplo seria quando Kay ouve uma moça, que tinha a má fama de ser manipuladora e interesseira, falar algo sobre o rapaz com quem a doutora se relaciona e, ao invés de questionar, ela acredita, porque há uma lembrança sobre algo similar que o mesmo tinha feito. Ele tenta colocar uma contra a outra, mas isso não funcionou.

O mistério é bem construído, não há como adivinhar completamente quais os próximos passos e o que motivou os assassinatos. A autora tem uma forma diferente e envolvente de mostrar essa investigação pelo lado dos legistas, é por isso que há muitos termos técnicos e boa parte da história se passa no departamento.

Todos os personagens, sejam masculinos ou femininos, no geral, são bem construídos, uns são mais explorados e outros, como por exemplo a pessoa que realizou os assassinatos, poderiam ter sido melhor trabalhados no aspecto da motivação e de sua história pessoal.

Patricia Carroll Daniels, mais conhecida como Patricia "Cornwell" nasceu em Miami, em 1956, seu romance de estreia da série Dr. Scarpetta ganhou o prêmio Francês de Literatura Policial, assim como os seguintes prêmios: Edgar, Creasey, Anthony e Macavity. no mesmo período de tempo. Enquanto escrevia esse livro, segundo seu site, ela era analista de sistemas no departamento da chefe legista em Richmond, Virginia.