Júlia Queiroga / Allmanaque

Quando a Vida Imita a Arte é a obra de Hiran Eduardo Murbach que foi editada e publicada de maneira independente. O livro retrata parte da história de Eduardo Monteiro, um jovem adulto de 20 e poucos anos, advogado que mora em uma cidade pequena no estado de São Paulo e gosta de sair para se divertir, conhecer novas pessoas, ficar com diversas mulheres e beber.

Eduardo, durante o curso, nunca havia trabalhado em nenhum lugar, mas isso mudou ao concluir seus estudos e começar no escritório do pai, onde já está há 3 anos. Ele trabalha 5 dias da semana e ainda faz algumas viagens à trabalho no final de semana, quando necessário.

A construção de sua personalidade é interessante, ao descrever as moças que conhece, o foco é apenas na aparência e fazendo comentários machistas, como quando diz que "Primeiro: tocar numa banda, principalmente de rock, não é coisa de mulher" (pág. 151) ou quando diz que tem certeza que a estagiária do escritório de seu pai com certeza seria dele, um dia. Ele próprio analisa que "Sentia de alguma maneira que ainda não era um 'adulto' completo, que, por alguma maneira, eu ainda tinha um pé fincado na minha adolescência, que me impedia de amadurecer mais, mas que eu me recusava a tirar, pois estava bom assim, do jeito que as coisas eram" (pág.31).

Outros detalhes importantes sobre sua personalidade é que ele é mimado, preconceituoso, julga os outros pela aparência e se importa bastante com as opiniões das pessoas. Ele está acostumado e acomodado à vida fácil que possui, tem um carro, mora com os pais, trabalha no escritório do pai, não tem muitas preocupações além do futebol no sábado, happy-hour na sexta, festa quando surge, conquistar diversas mulheres e ficar de casos com elas por algumas semanas até se cansar e terminar.

O enredo da vida de Eduardo não deixa de ser mais um cliché sobre um mauricinho e sua vida social. Até que ele conhece Roberta, uma roqueira, baixista de uma banda de rock feminino, estudante de Arquitetura que nasceu em São Paulo e é completamente apaixonada por música. Quando ele a conhece, seus gostos, dogmas e atitudes mudam um pouco, não que ela interfira diretamente em algo, ele que tem o interesse de rever tudo o que acreditava. Não quer dizer que algumas características anteriores deixaram de existir, elas apenas deram espaço para outras mais relevantes.

É interessante como o enredo muda e, mesmo assim, a leitura do livro não deixa de ser fluída e simples, mas o ritmo da história sai de algo calmo e monótono à algo mais agitado e rápido. Observar a motivação dos personagens para tomada de determinadas decisões é relevante, por exemplo, Eduardo não era tão próximo de sua irmã Carla, ele a julgava pela aparência e gostos, ela gosta de rock e ele acha que aquilo é apenas barulho, não compreende como ela possa gostar disso, mas também não se abre para entender o mundo dela.

Algumas personagens, como Carla, não são muito exploradas, mas, talvez, a intenção não seja nada mais do que explorar a relação entre Eduardo e Roberta. A narrativa é muito bem construída e a história muito bem encadeada. Não é uma típica história de amor e a forma na qual Eduardo se expressa é fundamental para isso, apesar de todas as suas falhas, entendemos o que motivava suas ações e o que aconteceu para ele se tornar dessa forma.

Quando a Vida Imita a Arte é um bom livro, com uma história interessante e bastante verdadeira, tanto na forma que os personagens agem, quanto suas motivações.