The Walt Disney Company

Entre as franquias dos heróis que formam o Universo Marvel no cinema, a de Thor é a única que ainda não conquistou definitivamente o público. O herói parece ter funcionado bem melhor quando agindo em grupo que em seus filmes solos, que gerou um consenso de obras corretas, mas nada marcantes. Neste que fecha mais um arco da saga dos heróis Marvel, parece que resolveram chutar o balde e entregar um filme bem diferente dos anteriores, com uma pegada de "Guardiões da Galáxia", mas ainda mais "gaiato", gerando o filme mais insano dos estúdios, beirando a auto-paródia. Para isso, contrataram o pouco conhecido diretor Taika Waititi (A Incrível Aventura de Rick Baker), dono de um humor peculiar, que consegue aqui unir seu estilo de humor com a fórmula Marvel de se fazer filmes.

Thor desta vez terá a missão de impedir o temido Ragnarok (a destruição total de Asgard), que toma início com a chegada de Hela, uma vilã poderosíssima e com sede de poder. Porém, nosso herói se encontra numa situação complicada: seu martelo foi destruído e ele foi parar em outro lugar do universo, onde é forçado a participar de torneio entre gladiadores. Para sua surpresa, o maior combatente é o Hulk, seu antigo aliado que parece não se lembrar dele. Thor precisa então descobrir como sair desta situação e voltar para Asgard e salvar seu reino da destruição.

Logo nos primeiros minutos o filme entrega o tom que será mantido em todo o resto, com um Thor pra lá de debochado (quase estilo "Deadpool") tentando escapar do vilão Surtur. Após esta introdução, Thor encarna "Starlord" e entramos numa aventura de comédia espacial que precisará bastante da cumplicidade do espectador para que este entre na brincadeira, que vão das piadas espertas ao humor pastelão. Muitas são realmente hilárias, enquanto outras não funcionam (como a participação do Dr. Estranho), mas Chris Hemsworth, longe de ser um grande ator, tem se mostrado bem em papéis cômicos, e aqui fica à vontade para rir de si mesmo. Mas o resto do elenco também é bem acertado. Tom Hiddleston, o eterno Loki, está menos vilanesco, mas sem perder sua essência e Hulk (Mark Ruffalo) confirma a boa química que os dois tiveram em Os Vingadores. Tessa Thompson, como uma Valquíria, foi uma boa adição, e até Jeff Goldblum, como Grão-Mestre, que comanda o local dos gladiadores, usa sua carismática canastrice à favor do filme. Já Cate Blanchett, como Hela, parece se divertir bastante brincando de ser vilã. A grande atriz consegue compensar o pouco desenvolvimento que o filme faz com ela (mantendo a tradicional característica dos filmes Marvel em não aproveitar seus vilões).

Visualmente, o filme entra na onda e cria um clima colorido e berrante, com toques oitentistas (até na trilha sonora) e sem medo de exagerar. Infelizmente se os efeitos visuais em geral funcionam, em outros momentos eles deixam a impressão de não terem sido trabalhados até o fim. Os fãs do personagem ao estilo clássico provavelmente ficarão ainda mais chateados (além de que essa escolha não provoca o desenvolvimento de Thor, cada vez mais imaturo), mas ao menos os fãs poderão curtir muitas referências presentes nos diálogos e principalmente no visual, onde cenários e naves fazem homenagens explícitas ao mestre dos quadrinhos Jack Kirby.

Thor: Ragnarok acerta na sua proposta - ser engraçado - mas nos poucos momentos que tenta ter alguma dramaticidade não surte bom efeito. Além disso, continua renegando uma maior relevância ao Deus do Trovão, deixando com impressão de mais um filme descartável. A trama possui algumas "barrigas", mas o filme nos distrai sempre com suas constantes piadas, mas o perigo de um escapismo tão intenso é que ele pode sim, entregar duas horas divertidas, mas que não ficarão persistindo em nossas mentes por muito tempo.