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Mundialmente conhecido por dar vida a personagens de computação gráfica, como Gollum da trilogia do Senhor dos Anéis, e Cesar, da nova leva de filmes do Planeta dos Macacos, Andy Serkis agora se aventura atrás das câmeras. Seu primeiro filme como diretor é Uma Razão Para Viver (Breathe), que estreia dia 16 de novembro e conta com roteiro de William Nicholson (Gladiador), e estrelado por Andrew Garfield (Até o Último Homem) e Claire Foy (The Crown).

Nesse drama inspirado em uma história real, o personagem de Andrew Garfield, Robin Cavendish, é um britânico aventureiro e cheio de vida, que se apaixona por Diana, quem irá ser sua mais fiel companheira pelo resto da vida. Após o casamento dos dois, eles viajam para a Quênia e lá Robin contrai a poliomielite, recebendo assim o diagnóstico de que ficará paralisado pelo resto da vida.

Eles permanecem na Quênia por mais um tempo, até que Diana, que estava grávida, tenha o bebê, então voltam pra a Inglaterra e os dois são informados que ele nunca mais poderia sair do hospital. Além da paralisação do corpo todo, a pólio também o impedia de respirar sem o auxílio de uma máquina, por isso seria impossível Robin ir para casa.

A cada dia que passava, Robin ficava mais deprimido, querendo morrer e se recusando a olhar diretamente para seu filho. Para alguém tão cheio de vida como ele, essa situação era pior que a própria morte. Contudo Diana se recusava a atender o pedido do marido, de deixá-lo morrer, e assim bola um jeito de levá-lo para casa, mesmo que sem o consentimento do médico.

Já em casa, Diana cuidava de Robin, do filho deles e contava com a ajuda de amigos. E graças a um amigo a vida de Robin se tornou exponencialmente melhor. Esse amigo inventou uma cadeira de rodas com suporte para o aparelho que faz com que Robin respire, assim ele pôde começar a sair de casa por algumas horas e após algumas melhoras na cadeira, chega até a viajar.

Anos se passam e Robin percebe que, apesar de todos os problemas, mas graças à determinação de Diana, ele teve uma longa e feliz vida, e que finalmente estava na hora de partir.

Uma Razão Para Viver é um filme tocante e inspirador, com personagens cativantes e uma história belíssima. Andrew Garfield e Claire Foy apresentam uma ótima química como um casal que se une naturalmente mas que permanece junto pela força de vontade. Ambos atuam brilhantemente, o que não é exatamente uma surpresa, se levar em conta como são bons os seus trabalhos mais recentes, que coincidentemente também são histórias reais. O restante do elenco também está de parabéns, mas o ponto alto do filme são os dois em cena. Garfield só possui suas expressões faciais e entonação vocal, visto que seu personagem não se move, e dá um show, e Foy apresenta uma personagem forte e delicada ao mesmo tempo, onde é possível sentir o amor e a perseverança que Diana tem por Robin durante todo o filme.

Andy Serkis se mostra um ótimo diretor e não deixa transparecer que esse é seu primeiro longa. Ele dá um ritmo muito dinâmico ao filme, que se passa ao longo de décadas e usa a câmera em ângulos que imitam a visão de Robin e como este se sente preso à cama. É um longa emocionante e delicado, mas também muito bem humorado e leve, Andy conta a história de Robin sem abordá-lo como uma vítima ou um pobre coitado, e isso é um mérito. E ainda por cima a fotografia, maquiagem e o figurino trazem todo um charme a mais pra esse belo filme.

Este é um filme que poderia simplesmente abordar a linda e difícil história de amor entre Robin e Diana, ou focar na paralisia de Robin ou qualquer outro dos tantos aspectos que esse filme apresenta. Mas ele não se limita e aborda todas as implicações dessa história, desde a vida pessoal de Robin e Diana, ou como eram tratados os pacientes com poliomielite naquela época, e como Robin foi necessário para fazer uma revolução na vida de pessoas como ele.

Uma Razão Para Viver teve o auxílio de Jonathan Cavendish, interpretado no filme por Dean Charles-Chapman (Game of Thrones), filho de Robin e Diana, que atualmente é produtor de cinema e fez um papel fundamental para que Andy Serkis e William Nicholson contassem essa história de forma correta. O resultado ficou ótimo e vale muito a pena ser conferido, seja você um apreciador de romances de época, filmes baseados em histórias reais, admirador de ótimas interpretações ou de tudo junto.