Diego Pinheiro / Allmanaque

Um show de blues em um teatro. Um formato um tanto peculiar para um gênero que, por sua característica sonora, pede espaço e liberdade para ficar de pé para que o público possa demonstrar sua devoção e êxtase àquilo que está sendo ouvido da melhor forma. Mas o grupo nomeado e comandado por Zucchero soube conduzir bem a plateia nessa condição.

Repleto de dicotomias, o público foi formado por pessoas que não tornaram possível sua generalização. Nos assentos do Teatro Bradesco, na capital paulista, estavam crianças, jovens, adultos e idosos. Metaleiros e aspirantes da música clássica e MPB. Um feito conquistado pelo italiano batizado Adelmo Fornaciari que apenas conjuntos musicais ditos atemporais conseguem alcançar.

E como dito anteriormente, com uma diferença de tribos e idades na plateia, o cantor conseguiu elaborar uma apresentação que satisfizesse o gosto de todos. Para ela, foi montado um setlist com, nada menos, que três capítulos. Cada um com sua intenção. Para abrir a performance, o sessentista preferiu selecionar uma série de nove composições que abrangesse Black Cat, seu vigésimo primeiro e mais recente disco de estúdio, lançado no ano passado. Nela, o cantor usou e abusou de elementos do rock, blues e até mesmo folk.

Mesclada com músicas em inglês e italiano, a sequência de músicas começou com Partigiano Reggiano, a faixa que é também a abertura de Black Cat. Uma balada bluesada que se encaixou bem com a voz grossa do vocalista. Palmas da plateia eram ouvidas acompanhando os grooves da bateria comandada por Cora Christine Coleman-Dunham, dando o sinal de que seria um show empolgante e com participação ativa da primeira.

13 Buone Ragioni veio para seguir a energia mais roqueira criada pela música anterior. Depois, veio mais uma das artimanhas de Zucchero: a mescla de baladas agitadas com canções mais lentas como Fatti Di Sogni e Ci Si Arrende, e outras com tom de suspense como Hey Lord e Terra Incognita, a qual encerrou a primeira parte da apresentação.

Antes mesmo de começar a segunda fase, a qual o cantor dedicou para canções de trabalhos anteriores, o mesmo pediu para a plateia se levantar e aproveitar Vedo Nero, faixa do disco Chocabeck, que seria apresentada na sequência. Em Baila (Sexy Thing), o público vibrou ainda mais. Com introdução em inglês, Zucchero deu o ar da graça de seus alcances altos e de toda a estrutura sonora de sua banda, afinal, a música tem desde trompetes a guitarra elétrica e teclado. Mais uma balada envolvente do italiano, que teve direito a um solo curto, mas bem executado pela baterista.

Nessa fase do show, foi selecionado também para ser tocado o cover de Wake Me Up, música do cantor pop e produtor sueco Avicii, que a encerrou com maestria no comando do baixista Paul H. Jones. O terceiro capítulo veio com mais quatro faixas autorais, que ao terminadas, Zucchero e sua equipe fizeram a firula que exigia da plateia o grito de pedido pelo bis, atendido por mais três canções.

Depois, o grupo formado além de Fornaciari, Jones e Coleman-Dunham, pela guitarrista Kathleen Yolanda, pelo tecladista Nicola Peruch e pela violinista Andrea Maurer Whitt, se uniu na frente do palco para uma rápida sessão de fotografia que teve o direito do gracejo dos mesmos de, em um dado momento, ficar de costas e abaixados com as nádegas empinadas, criando um ar humorístico no encerramento do espetáculo.