Joby Sessions

Entrevista foi dada à revista Total Guitar

Myles Kennedy e Mark Tremonti, do Alter Bridge, falaram em entrevista à edição 169 da revista Total Guitar sobre a trajetória feita por eles até o momento atual. Indo aos poucos, a conversa buscou entender as influências, os gostos, a infância e os segredos da guitarra de cada um. "Escolher uma guitarra foi como encontrar minha identidade. Eu eram realmente uma pessoa atrasada, uma pequena criança que não podia acompanhar meus colegas no esporte. Então quando eu entrei para a música, estava muito dedicado. Como um adolescente problemático, foi fácil de fazer acontecer. Foi uma saída!", refletiu Kennedy.

O cantor principal e guitarrista batizado Myles Richard Kennedy está refletindo sobre como chegou onde chegou. E neste momento, este parece ser um bom lugar para se estar. A revista Total Guitar se encontrou com Kennedy e Mark Tremonti em Londres logo após um show em que o Alter Bridge tocou algumas músicas inéditas de seu segundo disco de estúdio, Blackbird. Esta foi apenas a segunda vez em que tocaram esse material e deveriam soar enferrujados. Mas nesta noite eles estão em chamas. Certamente já está longe de Rapscallion. "Ela foi minha primeira banda", riu Kennedy.

De acordo com o vocalista, o primeiro som que foi produzido pela sua banda foi The House That Jack Built. "Estou realmente envergonhado em admitir isso! Preciso ressaltar que eu não escrevi as letras. O baixista o fez. Mas a música era sobre masturbação, aparentemente. Eu compus o riff, então não sou responsável pelo conteúdo", explicou. Todos começam de algum lugar. E para Mark Tremonti, a inspiração veio do autorretrado de um guitarrista.

Segundo Tremonti, esse guitarrista foi Ace Frehley. "Meu grande irmão Mike ouvia Kiss e eu não ligava pra ninguém mais naquela banda com exceção de Ace. Eu queria tocar uma Les Paul preta como ele. Foi assim pra mim", contou o guitarrista principal. A família do batizado Mark Thomas Tremonti também o ajudou a crescer em suas habilidades de composição. "Eu me lembro do primeiro som que escrevi. Não queria mostrá-lo a ninguém, tanto até que nem o nomeei. Eu compus sobre meu irmão, que se foi por alguns problemas daquele tempo. Eu ainda tenho a fita com a música!", lembrou.

Mark Tremonti cometeu erros no heavy metal na sua infância. Mas antes mesmo que conhecesse seus colegas de banda no Creed, ele de repente encontrou a si mesmo como um metalhead no colégio. "Eu cresci em Detroit, então era bem comum ouvir Metallica, Slayer e Venom. Tudo que era pesado. O primeiro show que fui foi do Iron Maiden, no Silverdome, onde eu estava rodeado por pessoas que estavam ali pelas mesmas coisas. Mas quando eu tinha 15 anos, me mudei para a Flórida e virei um estranho de novo. Ninguém nem ao menos tinha ouvido Metallica na escola preparatória que eu estava. Tinha que vestir gravata", se decepcionou.

Enquanto Tremonti lutava para ser aceito pelos seus colegas de classe, os quais veneravam Janet Jackson e as músicas do C+C Music Factory, Myles Kennedy estava lidando com seu primeiro show na sua cidade natal, Spokane, Washington, com outra banda de outro nome desonesto."Nós eramos chamados Saliax. Isso soa como remédio, não é? Eu estava tocando guitarra há apenas um ano naquela época. Mas no show, tocamos Rock N’ Roll, do Led Zeppelin, Wrathchild, do Iron Maiden, The Temple Of Syrinx, do Rush e Jailhouse Rock, de Elvis Presley. Começamos até que bem, mas depois nos afundamos aquela noite", assumiu.

Por outro lado, o primeiro show de Mark Tremonti envolveu adoração ao demônio em uma ingreja. "Em um mês que eles tinham shows naquela igreja da cidade, era medonho.Todas essas bandas de hard rock poderiam tocar nas cafeterias próprias da igreja canções como Shout At The Devil. Detalhe, eu tinha apenas 13 anos de idade naquele tempo", contou.

Mas a época em que Tremonti tocava em igrejas está distante agora. E enquanto o Saliax não conseguiu sucesso, aquela consciente banda de Kennedy no período pré-Alter Bridge, Mayfield Four, que lançou dois discos de estúdio entre 1998 e 2001, não ficará surpresa em saber que seu vocalista tocou guitarra e co-escreveu todas as músicas de Blackbird. Mas seu talento tinha algo a mais para revelar a Mark Tremonti. "Eu não tinha ideia do quão bom ele era!", admitiu Tremonti. "Ele ficou na minha casa logo depois que se uniu ao Alter Bridge, para praticarmos. Uma noite eu passei pelo seu quarto e ouvi o som de guitarra. Pensei que fosse um toca CD. Ele era muito, muito melhor do que pensava! Pensei que fosse apenas um guitarrista rítmico", concluiu.

A adição de guitarra que poderia equipar Myles Kennedy com as habilidades necessárias de ser um total membro do Alter Bridge começou no porão da sua casa de infância. "Eu sentava no mesmo lugar do carpete para aprender. Quando nós nos mudamos três anos depois, tinha um local muito parecido no carpete, onde eu pude tocar guitarra oito horas por dia", contou. Sobre esse período, Kennedy comentou que aprendeu suas habilidades na guitarra com o auxílio de uma dieta pesada de jazz e jazzistas.

Mas assim que suas aspirações avançavam, foi Jeff Buckley que lhe deu a confidência de se tornar um frontman. "Eu sou um tenor e esse não era o sabor da boca. Então, Jeff teve grandes efeitos em mim", lembrou. Por outro lado, as aspirações de Mark Tremonti estão ainda vivas e ele é grato por ter conhecido algumas delas. "Uma vez estava eu, Vinnie Moore e John Petrucci em um quarto com alguns guitarristas. Mas John tinha um braço quebrado, o que foi um pouco frustrante pra ele. Eu disse: 'Eu aposto que você queria tocar exatamente agora'", contou.

Tremonti ainda disse que teve uma jam no bar de Buddy Guy com o próprio. "Isso foi no começo da minha carreira e minhas habilidades não eram tão sólidas como hoje. Então, ele me convidou no palco para tocar Feliz Aniversário com ele para seu assistente. Eu estava aterrorizado!", admitiu. "A banda estava tocando em F, o que é um lugar desconfortável para solar porque era distante meio passo da minha zona de conforto", contou.

Fora o regime de práticas que o rege durante oito horas por dia enquanto em turnê, Mark Tremonti pode agora dividir a carga de guitarra pela primeira vez.  Blackbird é o som de uma banda pesada por causa disso. Muito notável nos oito minutos da faixa-título. "Nós trabalhamos nessa faixa por um ano", revelou Myles Kennedy. "E acho que foi necessário esse tempo para que nos envolvêssemos. Nós realmente precisamos orquestrar as guitarras cuidadosamente, então isso se deu em algo especial", contou. Este som tem um significado particular para Kennedy, pois não muito depois de sua conclusão, um amigo faleceu. "A música é sobre mim querendo que ele encontre sua paz, o que foi feito", explicou.

No entanto, embora trechos obscuros também existam em Blackbird, a mensagem principal do Alter Bridge nessa música é, em última instância, esperança. "Essa é uma das razões pelas quais eu me interessei para fazer parte da banda", disse Kennedy. "Suas músicas tem uma grande e esperançosa energia. Ela tem agressividade, mas sempre há a luz no final do túnel", comentou.

E nesta mensagem está a reflexão de um homem por trás da música, homens sem ego à vista. "Existem tantos grandes músicos tocando nos mesmos estágios para haver egos" falou Tremonti com franqueza. "Eu acho que algumas bandas devem tocar um show com Van Halen e achar que são maiores. Mas se nós tocássemos com Eddie Van Halen, eu não iria acreditar!", imaginou.